quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

DUVIDAR É PRECISO


Silas, um crente ferrenho, acabara de passar pelo exame vexatório.  O médico lhe orientou que iria precisar tomar massagem na região da próstata, pelo menos três vezes por semana.  Disse, porém, que isto era uma coisa simples, que não precisava de médico e que poderia ser feita por uma pessoa de confiança.

Quem é a pessoa de confiança do crente ferrenho?  O Sacerdote.  Como era evangélico, Silas procurou o pastor, que se prontificou, gentilmente, a fazer as massagens.

Já havia passado dois meses (e duas dúzias de massagens), quando o sacerdote foi chamado para fazer pregações na cidade vizinha.  A esposa do Silas ficaria incumbida de massageá-lo, obviamente desde que lhe fossem passadas orientações.  Na hora do tratamento, o crente abaixou as calças e tomou a posição característica de quadrúpede.  Ensinou:  - Agora, você põe a mão direita no meu ombro direito, a mão esquerda no meu ombro esquerdo e massageia com o dedão.  Era assim que o pastor fazia.

A mulher estranhou.  - Como é que o pastor conseguia enfiar o dedão no seu rabo, se as mãos deles estavam sobre os seus ombros?

O crente enfureceu-se. -  Mulher, você está blasfemando.  Nunca duvide dos poderes de Deus!

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

 

RECORTE DA HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA.

 

“Eu, que me queixava de não ter sapatos, encontrei um mendigo que não tinha pés”.  Por mais chinesa que possa ser, esta máxima exprime o caráter do brasileiro, capaz de saltitar de alegria por ver alguém mais lascado que ele.

 

Era o ano de 1986.  O presidente José Sarney herda um país destroçado por inflação e por sucessivos governos militares.  Uma prova de que, para comandar basta ter subordinados; para governar é preciso ter competência.

 

Sarney convoca um grupo de renomados economistas para tentar tirar o país da crise.  Instituem o Plano Cruzado.  Preços são congelados, perdas salariais são recompostas.

 

Com a melhora do poder aquisitivo, trabalhadores se igualam a ricos nas filas dos açougues.  Frigoríficos cobram ágio para fornecer carne.  Açougues repassam o ágio ao consumidor.  Ricos, que detestam filas, pagam o ágio, sorridentes, e destroçam o Plano Cruzado.

O pobre volta a passar fome, o Brasil retorna ao lodo.  Viva a elite brasileira!

URUBU, O MAIOR DE TODOS.


Morei numa cidade onde os coletores de lixo têm o costume de distribuir santinhos, nas proximidades das festas natalinas.   É uma maneira de lembrar aos moradores que o gari está presente e quer presente.

Era quase madrugada do dia 25 de dezembro, quando o caminhão de lixo passou, buzinando, catando os presentes e os poucos sacos de lixo.  Os sacos de lixo eram poucos, porque era quase madrugada.


No horário de costume, passaram os garis que realmente coletavam o lixo da nossa rua.  Não havia mais presente.  Fiquei com o episódio na cabeça, maldizendo os garis desonestos.  Sentia-me como o Cézar, totalmente desapontado:  - Até tu, Brutos!


Dias depois fui convidada à assistir palestra sobre Qualidade.  O Instrutor, não sei porque, enveredou pelo ramo do social.  Falou que uma sociedade tanto precisava de medico quanto de gari e continuou destacando a importância dos coletores de lixo.  Eu, que ainda estava muito revoltado com garis, não resisti:

- Mais importante do que coletor de lixo, só urubu!

 

NA VIDA COMO NO BONDE.

 

Um bonde inicia a viagem com 20 passageiros.  Na primeira estação sobem 5 passageiros e descem 3.  Na segunda estação, sobem mais 5 passageiros e descem 2.  Na terceira estação sobem novamente 5 passageiros e descem 4.  Pergunta-se:  Quantos passageiros que iniciaram a viagem chegaram à quarta estação?

 

O amigo desconsidera os que subiram pelo caminho, pois não estavam no bonde desde o início.  Então, 20 – 3 – 2 – 4 = 11.

 

Parece correto; mas onde foi dito que os quatro que desceram na terceira estação não eram do grupo que subiu na segunda?  E que os dois que desceram na segunda não haviam subido na primeira?  Não está excluída a possibilidade de terem descido apenas 3 dos passageiros que iniciaram a viagem.  Neste caso, 20 – 3 = 17.

O problema apresenta diversas possibilidades de soluções.

 

Na vida as coisas acontecem como neste bonde.  Via de regra, não temos informações que possibilitem a solução dos problemas.  O difícil é admitirmos nossa própria ignorância e não querer parecer o gênio da lamparina.

COMO DIZ O VELHO DESDENTADO.

 

Talvez o fato de me considerar um bom criador de frases faça com que não dê valor a citações de sábios e a ditos populares.  Quem sabe andar de bicicleta não vê nisto grande façanha.

 

Carl Sagan, que era ateu, criou a frase “Somos feitos de pó de estrelas”, que deixaria um crente extasiado: “É verdade.  Deus fez primeiro as estrelas e do pó das estrelas fez o homem”.

 

A famosa citação de Saramago, “Quer ser ateu?  Leia a bíblia”,  carece de fundamento. Ser ateu vai além de ser contra o judaísmo; é não acreditar em nenhum deus, seja Jeová, Ogum, Shiva.

 

Há um dito popular “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, contestado pelo corolário: “Quem faz sempre a mesma coisa obtém sempre o mesmo resultado”.  De fato, se você dividisse a “água” em porções, veria que infinitas porções de água se arrebentaram na pedra, antes que esta fosse furada.

 

Outra causa da fragilidade dos ditados é a mudança que o tempo impõe aos valores morais.  Pergunte a um amante da natureza se “um pássaro na mão vale mais do que dois voando”.


 

ENTRE CURUBAS E PEREBAS

 

Pergunte a um cristão pai de família, o que ele acharia, se um bandido sequestrasse seus filhos pequenos e, depois, lhe trouxesse outras crianças para substituir as que sequestrou?

Se ele responder que isto é loucura, concorde; mas acrescente que, segundo a bíblia, um deus chamado Javé teria cometido loucura ainda maior com um crente chamado Jó.

Deus mandou roubar o gado e queimar todas as posses do Jó.  Depois encheu-o de perebas e curubas, do couro da cabeça à sola do pé: por último, matou sua mulher e seus filhos.  E, uma vez satisfeito com temente e demente servo, deu a ele outra mulher e outros filhos.

 

Jó foi submetido a todo o tipo de desgraça, porque o deus queria provar a Satanás e a si mesmo, que o crente era, de fato, “temente a deus”.  E justo um deus que deveria ser onisciente.

 

A propósito:  A diferença entre pereba e curuba é que pereba dá no pé.

CRÔNICA DO TALO DA ABÓBORA.

 

São dezenas de textos, chamando-nos a refletir, a fazer reciclagem espiritual, neste tempo de pandemia.  Lições de moral coletivas, para quem gosta de tomar lição de moral.

A carapuça, além de não me servir, revolta-me.  Não bote nas minhas costas a cangalha das dores do mundo. 

Há dois tipos de indivíduos: os que nascem com a flor de abóbora no ânus e os que nascem com o talo.  Pertenço ao segundo grupo.  Sou da turma que não come o vatapá, mas que sofre as caganeiras.

Na ordem mundial vigente, pobres são escravos.  Não mais de donos de fazenda; mas dos donos do capital.  As regras do capitalismo substituem os grilhões e os chicotes.  Forças armadas e sacerdotes são os novos feitores.

Só os donos do capital podem mudar o rumo da História - e não o farão enquanto não tiverem uma tocha enfiada no rabo, até porque, a inércia é a essência do conservadorismo.  Então, ascenda a sua tocha, vá tacar fogo nos orifícios dos ricos e deixe o meu sofrido traseiro em paz

 

A SANTA DA PILHA FRACA.

 

Fui à Aparecida do Norte, acompanhando um amigo. Enquanto ele pagava suas promessas, zanzei pelos arredores da basílica. A “sala dos milagres” pareceu-me um museu de cera para aleijados.  Era pé de cera, mão de cera, orelha de cera...  Não lembro de ter visto pênis ou vulva de cera.

Havia muitos quadros com narrativas de milagres.  Em um deles, o cidadão agradecia à santa por ser o único sobrevivente da capotagem do pau-de-arara.  Pensei no porquê da santa que esteve no local ter salvo apenas um dos acidentados e na desculpa que teria dado aos candidatos a defuntos:

- Você apresentou seu pedido de socorro fora do prazo.

- Seu cartão de salvamento está vencido.

- Vim salvar somente o meu fiel, aguarde seu santo padroeiro.

 

Há outra possibilidade.  Santos não são humanos; mas, com certeza, também precisam de energia para executar suas tarefas.  Pode ser que a santa tenha descido a ribanceira e, quando subiu de volta com o primeiro acidentado, tenha acabado a bateria.

 


MINHA TERRA TEM PEPPERONI.

 

Faz 2300 anos que viveu na Grécia um sábio chamado Eratóstenes.  Disseram-lhe que, ao meio dia de determinado dia do ano, o sol podia ser visto no fundo de um poço em Siena, algo que não acontecia na cidade de Alexandria, na mesma data e hora.

 

Pensou:  Isto só é possível se a superfície da terra formar um arco.  Sabendo da distância entre as cidades, Eratóstenes fincou uma vara em Alexandria, mediu a sombra, calculou o ângulo e sentenciou:  - “A terra é redonda, seu perímetro é de 40 mil Km.”

 

Eratóstenes acertou, na mosca.  É espantoso que, em plena Era do turismo espacial, haja charlatão vendendo “conhecimento” sobre a terra em forma de pizza.  Mais espantoso, ainda, é que haja quem consuma tamanha bobagem (e sem pepperoni).


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

MULHER É BICHO MATREIRO.

Era uma vez um casal de japoneses: Joaquim e Maria Nakamura. Aos trinta anos de casado, Joaquim Nakamura passou a ficar extremamente excitado com o traseiro da Maria. Como não achasse um jeito de conduzir a cantada, o desejo foi se transformando em obsessão.

Certa noite, no Shopping, Maria se mostrou encantada com uma estatueta de santo Antônio, entidade da qual dizia ser devota.  Joaquim negou-se a compra-la; mas depois percebeu, que poderia estar ali, o caminho para o jardim posterior da esposa.  Voltou sozinho à loja, comprou a imagem e um abajur para iluminá-la. Colocou ambos no fundo do guarda-roupas.

Quando Maria voltou do banho, enrolada na toalha, percebeu uma luz estranha, vinda do móvel.  Abriu a porta do guarda-roupa e contemplou, maravilhada.
- Joaquim, tu compraste o santo Antônio?  Que ótima surpresa! Disse a mulher, com o bundão exposto.
- Não sei de que falas.  Respondeu Joaquim.
- Do santo Antônio que eu queria e que compraste, homem. Insistiu Maria, ainda em posição vulnerável.
Joaquim arrancou as calças atabalhoadamente e bradou.
- Não sei de santo Antônio nenhum; mas já sei o que estás a querer.

Maria não se fez de rogada e participou ativamente da brincadeira.
Mulher tem grande capacidade de dissimulação.  É capaz de fazer com que o homem lhe concretize os desejos, dando-lhe a falsa impressão de que ele é quem está no comando.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

O HOMEM QUE VEIO DA BOSTA.

Como surgiu o homo sapiens?
As teorias de maiores aceitações no mundo atual são: origem divina e evolução.  Na primeira, houve um ser mágico que falou "Vou fazer um boneco de barro e lhe dar vida, soprando em seu nariz.  Eu disse soprando e não chupando!."  Na segunda um ser unicelular evoluiu durante milhões de anos, até se tornar um gênio igual a mim.

Embora durma muito bem à noite, tenho passado dias em claro, raciocinando sobre a origem do ser humano.  Eis a minha teoria.


Milhões de anos atrás o mundo era habitado por peixes, aves, répteis e paquidermes.  Por um erro grosseiro de projeto, o ânus das fêmeas quadrúpedes ficava acima da vulva como, aliás, é até hoje.  Alimentando-se basicamente de capim, as fêmeas expeliam fezes pastosas, que criavam uma cobertura verde sobre a vagina. É possível que um macho apavorado e anti-higiênico tenha penetrado na fêmea logo após uma cagada, empurrado bosta vagina a dentro e criando a oportunidade para que um coliforme fecal (e não um espermatozoide) fecundasse o óvulo da paquiderme.
Se eu estiver certo, o homem é animal transgênico.  Tem origem na fecundação de um óvulo de paquiderme, por um coliforme fecal.

sábado, 9 de julho de 2016

APETRECHO - 39





Minha tesoura é afiada, mas não corta;
Sou eu que uso o apetrecho de aço,
Como se fosse apêndice do meu braço.

A tesoura não tem mérito ou demérito,
Se corta bem, ou mal;
Uma vez que submete-se à vontade
De quem usa o instrumento para tal.

Desculpe-me o leitor;
Mas, de repente,
Ocorreu-me trocar esta introdução
Por uma introdução diferente.

Hoje, com o dia recém-iniciado,
Falou-me minha noiva: - "Estou grávida".
Retruquei: Grávida!... Como?!
Como nenhum dos dois havia desejado.

Se não desejei, se ela não desejou a gravidez,
Então, não a fizemos.
No entanto, se não fizemos, quem fez?

Então percebi que (para pagar meus pecados),
Fui usado como apetrecho reprodutor
Por um espermatozoide mal intencionado.






sexta-feira, 8 de julho de 2016

CAMINHANDO - 37




Se o universo, condescendente,
Achou por bem colocar-te num remanso,
Verás a horda esbravejando, revoltada.

Não há como agradar a essa gente.
Defeca e segue em frente.

Se a vida, de forma hostil e mesquinha,
Te impôs sucessivos percalços;
Mas os sobrepujaste, bravamente,

A gentalha invejosa se avizinha.
Evacua e caminha.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

ENGOLIMENTOS RECÍPROCOS - 36



Dizem que o relacionamento
Entre mãe do noivo e mãe da noiva
É de cobra engolindo cobra.

Coisa que, se ocorre, literalmente,
Ambas desaparecem, nada sobra,

Porém, isto desobedeceria a norma
Que diz que, na natureza,
Nada se perde, tudo se transforma.

Deixo a lei da Física de lado,
Porque surge a questão em minha mente:
Como pode a serpente, a um só tempo, engolir
E ser engolida por outra serpente?

Poderia estar a cobra,
Naquele momento,
Tão empenhada na lida
De engolir, que não se apercebesse
De que estava, também, sendo engolida?

A letargia da cobra seria o único senão ao fato,
Pois há mútuo engolimento
Que não requer análise profunda:
Há que ter bunda dentro do calção,
Para o calção poder entrar na bunda.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

AUTO-AJUDA - 35



As únicas coisas certas no teu futuro
São velhice ou morte, ou, velhice e morte.
A perseverança pode ser uma qualidade;
Mas a teimosia é tão incômoda quanto burra
E competência não e nada, sem oportunidade.

Há que saber o momento de insistir
E a hora certa de mudar de rumo,
De seguir outro caminho, sem perder o prumo,
Enquanto é possível galgar novo porvir.

É preciso saber diferenciar o alcançável, do inatingível.
Para não despender esforço vão,
Pois o mundo não gira à mercê do teu destino.
Lembra-te de que, para que a onça consiga subir no galho,
Depende do galho, tanto quanto depende do felino.

sábado, 12 de dezembro de 2015

CONTO MAL CONTADO - 1




Era uma vez três porquinhos
De boa índole e caráter impoluto,
Ou era três vezes um porquinho, 
Já que a ordem dos fatores
Não altera o produto.

Tanta altivez, careceu de contraponto
Até o dia em que apareceu um lobo.
Um lobo mau? Sim, tão mau
Quanto o lobo de qualquer outro conto.

O primeiro porco,
Ninguém sabe o porquê,

Escondeu-se numa casa de sapê.
Ora, sapê é palha,
Só vai bem em letra de canção.
E o lobo ganha sua primeira batalha
E sua primeira refeição.

O segundo porco, que fez barraco de madeira,
Logo é pego e rosna, e grunhe e berra,
Porque madeira não resiste à motosserra.

O terceiro porco,
Dos três o menos tolo,
Construiu abrigo de tijolo.

Então aparece o lobo.
À mão, banana de dinamite.
Parecia estar tudo acabado;
Mas, acredite,
De repente o céu escurece
E, mais que de repente, o clarão.
Fulminado,
O lobo morre, antes de ouvir o trovão,
Sem o porco na barriga.

Este final, estranho e inesperado,
É para que ninguém diga
(Ou pense)
Que nos meus versos o mal sempre vence.









quarta-feira, 11 de novembro de 2015

DANÇANDO EM L - 34



Lambada era a dança

Da moça lombuda

Que, de tanto que foi

Lambida e lambuzada,

Não mais é lembrada

Para entrar na dança.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

FALANDO SÉRIO - 33




Às vezes penso
Sobre a vida,
Um grande mistério,
Sem lógica ou senso.


E, falando Sério,
Cada vez mais me convenço
De que a vida é tanto mais misteriosa,
Quanto mais eu penso.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

DE REPENTELHO - 32




Se na vida não fui bem,
Também não fui um fracasso.
Uns valem pelo que tem,
Eu valho pelo que faço.

Se alguém tem ódio de mim,
Que se apresente o palhaço.
E, se quiser ver meu fim,
Mostro-lhe o fim do espinhaço.


domingo, 14 de junho de 2015

MENINA DOS OLHOS - 31






Iris,

Se realmente pretendes,

O direito de ir não te nego.

Mas, saiba que serás, sempre,

A menina dos meus olhos

E que, por onde fores,

Levarás contigo,

A menina dos olhos de um cego.

sábado, 16 de maio de 2015

KAMA SUTRA - 30



Talvez precise consultar o Kama Sutra
Para saber a melhor posição na cama.
Todavia, a pior, a que causa maior drama,
Digo, de estalo, sem qualquer consulta.

Bruços é o pior entre todos os jeitos.
Seja em colchão de espuma ou de molas,
Mulher que deita de bruços amassa os peitos,
Homem que deita de bruços amassa as bolas.

sábado, 28 de março de 2015

MEMÓRIAS PÓSTUMAS ANTECIPADAS - 29



Quando morri, logo percebi
Que tudo em que acreditava era besteira.
Pensava rever minha família inteira
(Aqueles que se foram antes de mim).
Custou-me perceber que o fim é fim.

Não reconheci ninguém nem fui reconhecido,
Porque tudo que há de reconhecível é do corpo.
E corpo é matéria, com a morte degenera.

Assim, não vi os meus, não lhes dei um abraço.
Não os vi, porque não tinha olhos.
Braços, não os tinha.  Quem me dera!




segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

ARDUME - 28




Às vezes desejo que não mais volte,

O que não quer dizer que não lhe ame,

É que você chega como um tsunami,

Destruindo tudo à sua volta.


Não sei se volta por necessidade

Ou por capricho,

Só sei que vem bufando feito bicho,

Fazendo-me pecar contra a castidade.


Eu resmungo, reclamo, choro,
Finjo que detesto, quando adoro.
Quem está entre a cruz e a espada
Não diferencia a coisa certa da errada.


E vem e vai livre, desimpedida.
Mal chega, já anuncia a despedida.
Você é a pimenta da minha vida,
Se não arde na entrada, arde na saída.

x

terça-feira, 11 de novembro de 2014

AMAR É... - 27






Amar é dar amor, até não mais poder,
Na esperança de ter amor, em troca.

Amar é não ter discernimento,
É ter a razão subalterna ao sentimento.


Amar é triturar as pedras do caminho.

Amar é mergulhar na pororoca.

Amar é ignorar o que há de ser.

Amar é ter desilusões, aos feixes.


Amar é desesperar-se por estar sozinho.

Amar é cercar-se de urubus em bando.

Amar é lançar rede, até quando
Amar é não está pra peixes.





sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O BOTÃO MÁGICO - 26



Acima do vaso tem um botão
Simples e ordinário
Que, ao contrário de um botão de rosas,
Não causa admiração.
Também não causa afeição ou medo.

Mas, um simples apertar de dedo
Torná-o capaz de gerar um turbilhão
Que faz tudo desaparecer na imensidão,
Como se fosse mágica.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

PAPAI SABE TUDO - 25



Uma jovem,
Usufruindo da paterna sabedoria,
Pergunta:  - Pai, quem criou a primeira bateria?

O pai responde:
- Foi Volta, minha filha.
Alessandro Volta
Que, trabalhando com afinco,
Mergulhou em tigelas de salmoura,
Tiras de cobre e tiras de zinco.
Depois, seguindo nesta mesma trilha,
Juntou moedas de zinco e de cobre
E inventou a pilha.

- Desculpe-me pai,
Retruca a filha;
Mas não entendo,
Como pilha entrou nesta conversa.
Tudo que eu queria
Era saber quem inventou a primeira bateria:
"Primeira bateria, vira, vira, vira...".




quarta-feira, 17 de setembro de 2014

CALMARIA - 24



Na madrugada,
Quando tudo se cria
(Quem não cria, procria),
Sou muito mais pacato.

O sereno
Deixa o homem sereno.
E, homens serenos
São amenos,
A menos que lhes encham o saco.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

PROVÉRBIO - 23



Um dia, um cidadão grego esculpiu
O deus Apolo em pedra sabão
E, após fazê-lo,
Passou a apedrejá-lo
Com lascas de gelo.

Acreditam alguns, que tinha a intenção
De provar que imagens não são deuses.
Outros creem que o homem mencionado
Quis, apenas, dar origem ao ditado:
"Água dura em pedra mole
Nunca bate, sem que esfole".

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

FÊNIX - 22.



Quando se imagina que a paixão jaz

Esquartejada, cremada, enterrada,
ressurge, outra vez, com força plena
Traiçoeira e voraz, tal qual hiena.

E não há valente que seja capaz

de altivez de fronte e  mente serena;
Ao contrário, treme, tomba e chora
pois, se é paixão, é avassaladora.

Filha dileta da Hidra de Lerna,
Paixão é bicho de sete cabeças
Que expele veneno enquanto hiberna.

Moléstia que se entranha e que perdura,

É próprio da paixão tornar-se vício
E, como todo vício, não ter cura.


terça-feira, 22 de julho de 2014

CAUSA E CONSEQUÊNCIA - 21



Vida é a interminável construção do passado

- Pelo menos, até que a morte a estanque.
O hoje mira o amanhã; mas apoia-se no ontem,
Sugando o que se tem de conquistado.

Colhe-se, o que se planta, diz o ditado,

Enquanto outro, bem mais conformado,
Diz "eu, que me queixava por não ter sapatos,
Encontrei um mendigo que não tinha pés".

O homem que colhe, assim como o descalço,

Representam o sucesso e o percalço.
O que foste é causa; a consequência: o que és.

NA FONTE - 20



Não gosto da cruz
Pelo que representa:
Horrenda sina,
Morte pior que forca ou guilhotina.

Porém, quando a vejo pendulando
Por entre os seios da linda menina,
Lembro de que Jesus subiu ao monte
E, depois, desceu para beber na fonte.

domingo, 6 de julho de 2014

"PERNAS, PRA QUE TE QUERO" - 19




Se perguntarem se sei
das mulheres os encantos,
Como Bocage, responderei
Sei-os.

Obviamente, desde que naturais
E, naturalmente, expostos;
Em concordância com a natureza,
Que põe os seios à frente de tudo,
Até do rosto.

Mas, aqui entre nós
(E que ninguém nos ouça),
O que me deixa realmente extasiado:
É um belo par de pernas sobre a cama
- Uma de cada lado.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

DISPARADA - 18




Montanha, vaca, vaqueiro,
Ruralíssima trindade
Do sul do Estado
Do Rio de Janeiro.

Neste mundo quase esquecido,
Onde tudo se perde e pouco se cria,
Considera-se louco varrido
O cidadão propenso a acrofobia.

Vaca e vaqueiro no cume do monte,
Desafiam e afrontam a gravidade.
Ele o faz, não por desejo seu;
Mas por ordem e "por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu".

Morreu ao despencar de enorme altura,
Sem amarras e sem capacete.
Rolou montanha abaixo, pra cacete,
Tal e qual fruta madura.

Diz o ditado que "a carne é fraca";
Porém, numa análise fria e dura,
Surge a verdade, humilhante:
O homem não vale a vaca no cume do monte
Talvez nem valha o monte no cume da vaca.





sábado, 26 de abril de 2014

UM CERTO NÃO - 17


Há quem diga que a mulher,
Em parceria com a serpente-satanás,
Induziu Adão ao pecado.
E mais:
Num desafio, inusitado,
Olhou para trás.

Acreditam seguidores do Corão,
Que o estuprador, longe de ser culpado,
É vítima do crime de sedução.

São milênios e milênios de  injúrias,
Mas a mulher nem percebe
- E, por isso, não entende.

Entretanto, já que perguntar não ofende, 
O que seria de certa religião,
Se, um certo dia,
Certa mulher,
Uma certa Maria
Tivesse dito NÃO?

quarta-feira, 9 de abril de 2014

LEI DO MAIS FORTE - 16


Que não se negue a verdade contida
No dito "mata a cobra e mostra o pau"
Porque quem mata, às vezes salva vida.

Homem é da cobra inimigo mortal
(A recíproca também é verdadeira)
Proteção de cobra é asneira
De quem não tem pomar nem tem quintal.

Sou do tempo em que homens e serpentes
Disputavam, sem hipocrisia,
Em luta de morte, seu espaço.

O mundo sempre será do mais forte,
Até que o mais forte vendaval,
Até que o mais forte tsunami,
Até que o mais forte terremoto
Transforme o mundo todo num bagaço.

ÍNDIOS -15


Lá vai o índio
Todo prosa,
Feliz da vida
Vendeu peroba rosa,

Ação por lei proibida.

Lá vai o índio, defender o ar,
"Ar" de ocupar, de reivindicar.


Lá vai o índio,
Num rompante

Nacionalista,
Cantar o hino
Numa língua em que duvido que exista
Tradução para lábaro ou retumbante.


Lá vai o índio latifundiário
Acender o baseado.

Não vê obstáculo
Em fumar com o pajé,
Seu oráculo.
Dane-se o mestiço, otário!


E o pajé
(Ora bolas!)
Nem quer saber se oráculo
Vem de hora-culo:
Pequeno orifício,
cercado de pregas,
Onde se vê as horas.


terça-feira, 1 de abril de 2014

UM DIA A CADA DIA - 14


Toda pressa
Estressa.

Deus, poderia ter feito o mundo
Em um segundo.
Preferiu fazê-lo
Em seis dias,
Sem muito zelo,
Posto que o mundo é prato cheio de cabelo.

Para criar o mundo
Em um segundo
Deus transformaria o nada,
Não obstante,
Fizesse do verbo sua varinha de fada.

Num tempo em que a palavra bastava,
A palavra de Deus era bastante.

E folgaria um dia,
E mais um dia,
E mais um dia...
Por toda eternidade.

É próprio dos deuses
Viver um dia a cada dia.
Como quem nada tem a fazer
Todo dia,
Dia após dia.

Vos digo, em verdade.

quarta-feira, 5 de março de 2014

RAPUNZEL - 13


Certa vez li o conto
Da menina muito bela 
Trocada por berinjela.

Presa na torre à beira do abismo,

Jogava as tranças ao príncipe amante
Que as usava como cordas de alpinismo.

Na escalada, some o cavalheiro

E surge o jovem frenético, afoito,
Bicho macho à procura de coito.

Ela resiste, em silêncio, ao sacrifício.

É próprio da fêmea sofrer calada,
Se tem por objetivo uma trepada.

O conto da menina Rapunzel

comprova a ineficácia da clausura.
Mulher, quando quer dar, nada segura.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

MACHOFOBIA (12)




O humorista escreveu, de sacanagem:
"Pelo andar da carruagem, chegará o dia
Em que o terceiro sexo será primeiro".
Mal sabia, que, em vez de humor, fazia profecia.

Da nova ordem, da nova mania
de exaltação ao gay, surge a fobia
- O medo de ser somente homem,
Segundo aprendi, conforme sei.

Como alquimista que a pílula doura,
Convivo com a imposição, estranha, malfadada,
Posto que espada não perfura espada,
Porque tesoura não corta tesoura.

sábado, 9 de novembro de 2013

DORES DO MUNDO (11)



Das dores que nos atormentam,
Não erro ao dizê-lo,
A pior é a cabeça,
Porque dor de cabeça é dor de miolos,
Já que o resto é osso e pelo.

Talvez por isso se diga à jovem no parto,
Para que não esmoreça,
Que "o pior já passou".
E "o pior" é a cabeça.

E se diga à virgem, no quarto,
Apreensiva à beça:
- "O pior já passou".
E "o pior" é a cabeça.

terça-feira, 30 de julho de 2013

LOUVAÇÃO (10)

LOUVAÇÃO



Louvado seja o i de "iscola", a
ntes do i de igreja!
Louvado seja!
Louvada seja a dançarina,
Que incrustou-se, como tatuagem, na minha retina.

Há mulheres
que o anjo da guarda, não apenas guarda,
Como livra de toda desdita.

Assim como anjos, homens.

Não acredita?
Pergunte a um homem que seja
(Que homem seja),
O que ele almeja,
O que o deleita:


Grafia correta,
Ou bunda perfeita?


DALAS - 9





Muito falas.

Porém, por mais que eu ouça,

Não me enganas,

Exalas

Cheiro de moças

De fogosas chanas,

Querendo Dalas.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

RECÍPROCA - 8


Deve haver bem que vem para o mal,

como há mal que vem para o bem.


Isto explicaria que alguém

Que vá ao encontro da luz no fim do túnel

Seja atropelado pelo trem.

sábado, 13 de julho de 2013

OBRA PRIMA - 7


Mulher,
Prova de que o ser humano
Tem origem divina.

Quem, se não Deus, faria
Obra tão bela
Com uma costela?

E se Deus houvesse tomado
Uma perna do Adão,
Que faria, então?

Homem não precisa de duas pernas.
Mulher, sim, precisa
Por motivos óbvios.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

CANTIGAS DE HEMO-RODA (5)

Nome da cantiga:  ATIREI O PAU NO GATO


LETRA E COMENTÁRIO.


Atirei o pau no gato.

Ô infeliz!  Sabia que isso é crime?

Mas o gato não morreu.

E tinha a intenção de matar o bicho?  Afinal que mal o gato lhe fez?

Dona chica admirou-se do berro que o gato deu.

Dona Chica tinha que admirar-se, mesmo.  Até eu ficaria admirado se ouvisse gato berrando. Gato não berra, gato mia.

terça-feira, 28 de maio de 2013

MEU BONÉ - 6




EU TENHO UM BONÉ.

COM A ABA DE LADO
DEIXA-ME COM CARA
DE JOVEM SAPECA;

MAS, BOM COMPANHEIRO,
CAMUFLA E PROTEGE
MINHA CARECA.

MELHOR QUE MEU BONÉ
SÓ BATOM NA CUECA.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

COISA DE CRIANÇA.- 5




Bosta tinha quando Inácio
Espalhava pelo chão.
Sua avó sempre dizia:
- Êta, menino cagão!

sábado, 23 de junho de 2012

UMA VIAJEM NO TEMPO

PREFÁCIO MUITO FÁCIL

Não demorou muito e percebi que havia uma intrusa na festa do meu aniversário: a festa de aniversário.  Se estou ficando mais velho, mais feio e mais débil, estou comemorando o quê?
Pior é a constatação de que não sou o único a caminho da decrepitude,  até o bebê que nasceu há dez segundos está, neste instante, dez segundos mais velho.







ENTENDENDO O PASSAR DO TEMPO.


Ampulheta.
Em desuso como relógio; é popular como instrumento
 musical.  Dizem que, a qualquer hora, em qualquer parte
do mundo, há sempre alguém tocando ampulheta.


O tempo passa porque a terra gira.  E gira numa velocidade de fazer inveja a carro de Fórmula Um.  Qualquer ponto próximo à linha do equador movimenta-se a, mais ou menos, 1666 Km/h.
É esta giração maluca e desenfreada que causa a sucessão de dias e noites

Você há de concordar que, se a terra não girasse, a noite não sucederia o dia nem o dia sucederia a noite.  Não haveria o dia que passou, assim como não haveria o dia seguinte.  Haveria, apenas, um dia eterno, onde o tempo não passaria.  E, uma vez que o tempo não passasse nada nem ninguém envelheceria.  Ruim para o vinho, ruim para o whisky, ruim para a Itália, para a Escócia, ruim para o Paraguai que fabrica legítimas bebidas europeias; todavia, bom para os seres vivos.  Perai!  Será que não envelhecer seria, realmente, bom para o ser humano?
O adulto não ficaria velho, é fato; mas o jovem não se tornaria adulto nem o bebê se tornaria jovem.   Como não envelhecer não é salvo conduto contra a morte, é certo que os adultos morreriam deixando o destino do mundo nas mãos de jovens estúpidos.  A única ação positiva dos jovens (se é que isso é positivo) seria botar no mundo uma infinidade de bebês.  Os bebês herdariam o planeta assim que os jovens morressem.  E um mundo somente de bebês é garantia de merda pra todo lado.

Bem, deixemos de lado os efeitos colaterais do não-envelhecimento e vamos em busca da fonte da juventude, que é o que tinha em mente quando iniciei esta balela.



A VELHICE É RELATIVA; PORÉM, DEFINITIVA.


Einstein afirmava que a estação se movimenta em relação ao trem e dele se afasta na mesma velocidade que o trem se afasta da estação.  E concluiu que velocidade, espaço e tempo são relativos.   De fato, se demolirmos a estação e a colocarmos dentro dos vagões do trem, ainda que este se movimente a distância entre o trem e a estação será zero.  Como tempo é o resultado da divisão do espaço pela velocidade.  Se o espaço for zero, o tempo também será zero, para qualquer que seja a velocidade considerada.

EURECA!  O grande lance do não-envelhecimento é não deixar o tempo passar, é não permitir que o dia do aniversário que acabamos de comemorar afaste-se do momento presente.  Simples, assim.

Pelo exemplo acima pode-se perceber que há duas formas de não permitir o distanciamento do tempo: a primeira é amarrá-lo no tornozelo, que nem prancha de surf; a segunda é subir nessa prancha e acompanhar, par e passo, o seu movimento.




TEMPINHO PRÁ LÁ, TEMPINHO PRÁ CÁ.


Casal de velhos mostra o lado menos atingido pela gravidade.
Já informei, aqui, as causas do envelhecimento (sucessão de dias e noites) e a velocidade com que o fenômeno acontece (1666 Km/h).  Informei, também, que, se acompanharmos o movimento do dia, não permitindo que este se afaste, o tempo não passará.  Prepare-se, então para uma nova descoberta:  O envelhecimento não acontece simultaneamente para todos os habitantes do planeta. Quando é meio dia em Brasília, são quatro horas da tarde em Londres (Inglaterra) e são oito horas da manhã em Vancouver (Canadá).  Considerando um mesmo instante de tempo, o cidadão londrino envelhece quatro horas antes que o cidadão brasileiro, que envelhece quatro horas antes que o cidadão de Vancouver.
Perceba o leitor que, geograficamente falando, o tempo passa num sentido determinado, mais precisamente, de Londres para Vancouver.


DESFAZENDO AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ.


Você já deve ter ouvido falar que o mundo dá muitas voltas.  Isto é verdade.  É verdade, também, que o tempo está para o mundo, como o barbante está para o novelo: enrola-se girando num certo sentido e desenrola-se girando no sentido contrário. Isto significa que, se acharmos um modo de desenrolar o barbante do tempo do novelo do mundo estaremos promovendo o desenvelhecimento da humanidade e, como consequência colateral, dos bichos, das plantas e de tudo que há no mundo.



NO RABO DE FOGUETE.

Claro que você já sacou que nosso próximo e mais importante passo será a construção de um foguete; porém, quase tão importante quanto a construção do veículo é o plano de voo.
A viagem tem que ser no sentido Londres / Vancouver para permitir que se chegue ao Japão na noite do dia que passou e, assim, desfaça-se um dia na contagem do tempo.
Se viajarmos no sentido contrário, chegaremos ao Japão na noite do dia que está por vir e, envelheceremos um dia, precocemente.
A velocidade da nave depende da rapidez com que se pretende rejuvenescer.  A 1666 Km/h neutraliza-se a velocidade natural do tempo.  Não se envelhece nem rejuvenesce.  Duplicando esta velocidade, rejuvenesceremos um dia por dia viajado.  Triplicando a velocidade, o rejuvenescimento será na proporção de dois dias para cada dia de viajem.



PROBLEMÁTICA SEM SOLUCIONÁUTICA.


O amigo deve estar se perguntando:  Se essa coisa é, assim, tão simples, por que não tem fabricante de foguete, vendendo turnê de rejuvenescimento?
Porque há um probleminha técnico, até o momento sem solução.

Imagine que você entre num foguete e comece a orbitar a terra no sentido Londres / Vancouver, com o triplo da velocidade do planeta, isto é: retornando no tempo, dois dias á cada dia de viajem.  Ao recuar no tempo, você e os demais tripulantes da nave irão ficando cada vez mais jovens e, obviamente, ficarão cada vez mais ignorantes.  Com o despassar do tempo, perderão inclusive os conhecimentos necessários para comandar a nave.  Quanto mais o tempo despassar, mais estúpidos tornar-se-ão e, então, estarão todos, novamente, à mercê do tempo.


Feto, meio caminho entre ovo e gente
UM FILME DE TERROR.

Alheia a tudo, a nave continuará a jornada de rejuvenescência.  Agora você já não é um adulto; é um adolescente.  Não mais um adolescente; uma criança.  Não mais uma criança; é um bebê... um feto... um embrião.  Não um embrião, é um espermatozoide desfecundando um óvulo e, por fim, um espermatozoide e um óvulo vagando no espaço, em órbitas paralelas.
Carrinho sem vergonha da Ford,
onde paralelas trocam amassos
É possível que, um dia, se encontrem num carrinho sem-vergonha da Ford.  Dizem as más línguas que paralelas num Ka se encontram.  Talvez se encontrem, sim; mas só as paralelas lésbicas.
Detesto generalização.




        xxxxx       FIM  (Até que enfim!)     xxxxx













quarta-feira, 13 de junho de 2012

PALEONTOLOGIA - PRIMEIRA AULA.

ESTUDO DE BICHO VELHO.



DEFINIÇÃO:

Você pode não acreditar; mas Paleontologia significa, exatamente, estudo de bicho velho.  Tudo bem, dá para colorir a calda do pavão, escolher palavras amenas, como por exemplo, seres antigos, em vez de bicho velho; mas, ainda assim, continuará sendo bicho velho.  A Paleontologia não deve ser confundida com a Palitologia - ciência que estuda as variáveis do jogo de palito, também conhecido como porrinha.

No estudo da Paleontologia o aluno conviverá com nomes estranhos e significados igualmente estranhos, assim, se um paleontólogo lhe disser que você é um gigantesco coprólito, não se sinta lisonjeado, não; coprólito é merda fossilizada de animal Pré-Histórico e os montes que eles deixavam eram sempre gigantesco.   Paleontologia é um estudo que requer muito tempo e espaço.  Requer muito tempo, porque mexer com fóssil não é fácil - o que não significa que mexer com fássil seja fócil - e requer muito espaço, porque bicho enorme é espaçoso, mesmo.

Apenas para que você faça ideia de espaço requerido, saiba que estes animais eram tão grandes que não podiam se embrenhar nas florestas.   Viviam nas pradarias, que também era o local onde adquiriam prães.


PRÉ-HISTORIANDO:
Antes do fim mais recente do mundo, o planeta terra era dominado por bichos grandes, brabos e cabeçudos.  Havia bicho que tinha uma queixada de fazer inveja ao Michael Phelps.
Não havia homem nem mulher pra se meter a besta de encarar as bestas; até porque, naquele tempo não havia homem nem mulher - nem as metidas a bestas.

(Ao lado, imagem e Raio- X de bicho grande, brabo e cabeçudo).


ORGANIZAÇÃO SOCIAL.
A sociedade Pré-Histórica era constituída, basicamente, por predadores (bichos que atiravam predas) e presas (fêmeas que cumpriam pena por crimes cometidos).  Já havia algumas ONGs, como a dos Depredadores, que tentava desfazer, ou minimizar, os males causados pelos predadores.
Entretanto, a sociedade dos dinosauros tinha, também, sua elite, muito bem representada pelos sofisticados Alossauros, assim apelidados porque não desgrudavam de seus celulares.

 



O LAGARTÃO DA ARGENTINA.
O maior animal que já pisou em terra firme (provavelmente tenha pisado, também, no atoleiro) foio  argentinosaurus, que media quarenta metros de comprimento e pesava cem toneladas.
Aí eu me pergunto:  Como um bicho tão colossal pôde extinguir-se?  E eu me respondo, perguntando: Como é que um bicho, perto do qual um elefante pareceria uma cabrita, pode existir?

Tomemos, novamente o maior paquiderme existente como termo de comparação.  Um elefante adulto, que pese em torno de seis toneladas e meia, tem um pênis de trinta quilos. Não sei quem foi o curioso que pesou; mas isto é mais que o peso de botijão de gás, cheio!  Mantidas as proporções, o pinto do argentinosauro (se é que se pode chamar uma avestruz dessa de pinto) pesaria 461 Kg.  E pra levantar o bicho do bicho, hem?!  Haja sangue!  Ou, haja guindaste!  E pra encontrar o caminho das Índias?!  Mas, nem instalando GPS na ponta.   Diante disso, seria compreensível se a fêmea do argentinosauro tirasse o corpo fora, na hora da penetração.

E não era pra tirar?  Ponha-se no lugar dela!  Desculpe o mau jeito.





               Imagens de argentinos com cara de bobo.  O da direita é o argentinosauro.