domingo, 14 de junho de 2015

MENINA DOS OLHOS - 31






Iris,

Se realmente pretendes,

O direito de ir não te nego.

Mas, saiba que serás, sempre,

A menina dos meus olhos

E que, por onde fores,

Levarás contigo,

A menina dos olhos de um cego.

sábado, 16 de maio de 2015

KAMA SUTRA - 30



Talvez precise consultar o Kama Sutra
Para saber a melhor posição na cama.
Todavia, a pior, a que causa maior drama,
Digo, de estalo, sem qualquer consulta.

Bruços é o pior entre todos os jeitos.
Seja em colchão de espuma ou de molas,
Mulher que deita de bruços amassa os peitos,
Homem que deita de bruços amassa as bolas.

sábado, 28 de março de 2015

MEMÓRIAS PÓSTUMAS ANTECIPADAS - 29



Quando morri, logo percebi
Que tudo em que acreditava era besteira.
Pensava rever minha família inteira
(Aqueles que se foram antes de mim).
Custou-me perceber que o fim é fim.

Não reconheci ninguém nem fui reconhecido,
Porque tudo que há de reconhecível é do corpo.
E corpo é matéria, com a morte degenera.

Assim, não vi os meus, não lhes dei um abraço.
Não os vi, porque não tinha olhos.
Braços, não os tinha.  Quem me dera!




segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

ARDUME - 28




Às vezes desejo que não mais volte,

O que não quer dizer que não lhe ame,

É que você chega como um tsunami,

Destruindo tudo à sua volta.


Não sei se volta por necessidade

Ou por capricho,

Só sei que vem bufando feito bicho,

Fazendo-me pecar contra a castidade.


Eu resmungo, reclamo, choro,
Finjo que detesto, quando adoro.
Quem está entre a cruz e a espada
Não diferencia a coisa certa da errada.


E vem e vai livre, desimpedida.
Mal chega, já anuncia a despedida.
Você é a pimenta da minha vida,
Se não arde na entrada, arde na saída.

x

terça-feira, 11 de novembro de 2014

AMAR É... - 27






Amar é dar amor, até não mais poder,
Na esperança de ter amor, em troca.

Amar é não ter discernimento,
É ter a razão subalterna ao sentimento.


Amar é triturar as pedras do caminho.

Amar é mergulhar na pororoca.

Amar é ignorar o que há de ser.

Amar é ter desilusões, aos feixes.


Amar é desesperar-se por estar sozinho.

Amar é cercar-se de urubus em bando.

Amar é lançar rede, até quando
Amar é não está pra peixes.





sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O BOTÃO MÁGICO - 26



Acima do vaso tem um botão
Simples e ordinário
Que, ao contrário de um botão de rosas,
Não causa admiração.
Também não causa afeição ou medo.

Mas, um simples apertar de dedo
Torná-o capaz de gerar um turbilhão
Que faz tudo desaparecer na imensidão,
Como se fosse mágica.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

PAPAI SABE TUDO - 25



Uma jovem,
Usufruindo da paterna sabedoria,
Pergunta:  - Pai, quem criou a primeira bateria?

O pai responde:
- Foi Volta, minha filha.
Alessandro Volta
Que, trabalhando com afinco,
Mergulhou em tigelas de salmoura,
Tiras de cobre e tiras de zinco.
Depois, seguindo nesta mesma trilha,
Juntou moedas de zinco e de cobre
E inventou a pilha.

- Desculpe-me pai,
Retruca a filha;
Mas não entendo,
Como pilha entrou nesta conversa.
Tudo que eu queria
Era saber quem inventou a primeira bateria:
"Primeira bateria, vira, vira, vira...".




quarta-feira, 17 de setembro de 2014

CALMARIA - 24



Na madrugada,
Quando tudo se cria
(Quem não cria, procria),
Sou muito mais pacato.

O sereno
Deixa o homem sereno.
E, homens serenos
São amenos,
A menos que lhes encham o saco.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

PROVÉRBIO - 23



Um dia, um cidadão grego esculpiu
O deus Apolo em pedra sabão
E, após fazê-lo,
Passou a apedrejá-lo
Com lascas de gelo.

Acreditam alguns, que tinha a intenção
De provar que imagens não são deuses.
Outros creem que o homem mencionado
Quis, apenas, dar origem ao ditado:
"Água dura em pedra mole
Nunca bate, sem que esfole".

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

FÊNIX - 22.



Quando se imagina que a paixão jaz

Esquartejada, cremada, enterrada,
ressurge, outra vez, com força plena
Traiçoeira e voraz, tal qual hiena.

E não há valente que seja capaz

de altivez de fronte e  mente serena;
Ao contrário, treme, tomba e chora
pois, se é paixão, é avassaladora.

Filha dileta da Hidra de Lerna,
Paixão é bicho de sete cabeças
Que expele veneno enquanto hiberna.

Moléstia que se entranha e que perdura,

É próprio da paixão tornar-se vício
E, como todo vício, não ter cura.


terça-feira, 22 de julho de 2014

CAUSA E CONSEQUÊNCIA - 21



Vida é a interminável construção do passado

- Pelo menos, até que a morte a estanque.
O hoje mira o amanhã; mas apoia-se no ontem,
Sugando o que se tem de conquistado.

Colhe-se, o que se planta, diz o ditado,

Enquanto outro, bem mais conformado,
Diz "eu, que me queixava por não ter sapatos,
Encontrei um mendigo que não tinha pés".

O homem que colhe, assim como o descalço,

Representam o sucesso e o percalço.
O que foste é causa; a consequência: o que és.

NA FONTE - 20



Não gosto da cruz
Pelo que representa:
Horrenda sina,
Morte pior que forca ou guilhotina.

Porém, quando a vejo pendulando
Por entre os seios da linda menina,
Lembro de que Jesus subiu ao monte
E, depois, desceu para beber na fonte.

domingo, 6 de julho de 2014

"PERNAS, PRA QUE TE QUERO" - 19




Se perguntarem se sei
das mulheres os encantos,
Como Bocage, responderei
Sei-os.

Obviamente, desde que naturais
E, naturalmente, expostos;
Em concordância com a natureza,
Que põe os seios à frente de tudo,
Até do rosto.

Mas, aqui entre nós
(E que ninguém nos ouça),
O que me deixa realmente extasiado:
É um belo par de pernas sobre a cama
- Uma de cada lado.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

DISPARADA - 18




Montanha, vaca, vaqueiro,
Ruralíssima trindade
Do sul do Estado
Do Rio de Janeiro.

Neste mundo quase esquecido,
Onde tudo se perde e pouco se cria,
Considera-se louco varrido
O cidadão propenso a acrofobia.

Vaca e vaqueiro no cume do monte,
Desafiam e afrontam a gravidade.
Ele o faz, não por desejo seu;
Mas por ordem e "por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu".

Morreu ao despencar de enorme altura,
Sem amarras e sem capacete.
Rolou montanha abaixo, pra cacete,
Tal e qual fruta madura.

Diz o ditado que "a carne é fraca";
Porém, numa análise fria e dura,
Surge a verdade, humilhante:
O homem não vale a vaca no cume do monte
Talvez nem valha o monte no cume da vaca.





sábado, 26 de abril de 2014

UM CERTO NÃO - 17


Há quem diga que a mulher,
Em parceria com a serpente-satanás,
Induziu Adão ao pecado.
E mais:
Num desafio, inusitado,
Olhou para trás.

Acreditam seguidores do Corão,
Que o estuprador, longe de ser culpado,
É vítima do crime de sedução.

São milênios e milênios de  injúrias,
Mas a mulher nem percebe
- E, por isso, não entende.

Entretanto, já que perguntar não ofende, 
O que seria de certa religião,
Se, um certo dia,
Certa mulher,
Uma certa Maria
Tivesse dito NÃO?

quarta-feira, 9 de abril de 2014

LEI DO MAIS FORTE - 16


Que não se negue a verdade contida
No dito "mata a cobra e mostra o pau"
Porque quem mata, às vezes salva vida.

Homem é da cobra inimigo mortal
(A recíproca também é verdadeira)
Proteção de cobra é asneira
De quem não tem pomar nem tem quintal.

Sou do tempo em que homens e serpentes
Disputavam, sem hipocrisia,
Em luta de morte, seu espaço.

O mundo sempre será do mais forte,
Até que o mais forte vendaval,
Até que o mais forte tsunami,
Até que o mais forte terremoto
Transforme o mundo todo num bagaço.

ÍNDIOS -15


Lá vai o índio
Todo prosa,
Feliz da vida
Vendeu peroba rosa,

Ação por lei proibida.

Lá vai o índio, defender o ar,
"Ar" de ocupar, de reivindicar.


Lá vai o índio,
Num rompante

Nacionalista,
Cantar o hino
Numa língua em que duvido que exista
Tradução para lábaro ou retumbante.


Lá vai o índio latifundiário
Acender o baseado.

Não vê obstáculo
Em fumar com o pajé,
Seu oráculo.
Dane-se o mestiço, otário!


E o pajé
(Ora bolas!)
Nem quer saber se oráculo
Vem de hora-culo:
Pequeno orifício,
cercado de pregas,
Onde se vê as horas.


terça-feira, 1 de abril de 2014

UM DIA A CADA DIA - 14


Toda pressa
Estressa.

Deus, poderia ter feito o mundo
Em um segundo.
Preferiu fazê-lo
Em seis dias,
Sem muito zelo,
Posto que o mundo é prato cheio de cabelo.

Para criar o mundo
Em um segundo
Deus transformaria o nada,
Não obstante,
Fizesse do verbo sua varinha de fada.

Num tempo em que a palavra bastava,
A palavra de Deus era bastante.

E folgaria um dia,
E mais um dia,
E mais um dia...
Por toda eternidade.

É próprio dos deuses
Viver um dia a cada dia.
Como quem nada tem a fazer
Todo dia,
Dia após dia.

Vos digo, em verdade.

quarta-feira, 5 de março de 2014

RAPUNZEL - 13


Certa vez li o conto
Da menina muito bela 
Trocada por berinjela.

Presa na torre à beira do abismo,

Jogava as tranças ao príncipe amante
Que as usava como cordas de alpinismo.

Na escalada, some o cavalheiro

E surge o jovem frenético, afoito,
Bicho macho à procura de coito.

Ela resiste, em silêncio, ao sacrifício.

É próprio da fêmea sofrer calada,
Se tem por objetivo uma trepada.

O conto da menina Rapunzel

comprova a ineficácia da clausura.
Mulher, quando quer dar, nada segura.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

MACHOFOBIA (12)




O humorista escreveu, de sacanagem:
"Pelo andar da carruagem, chegará o dia
Em que o terceiro sexo será primeiro".
Mal sabia, que, em vez de humor, fazia profecia.

Da nova ordem, da nova mania
de exaltação ao gay, surge a fobia
- O medo de ser somente homem,
Segundo aprendi, conforme sei.

Como alquimista que a pílula doura,
Convivo com a imposição, estranha, malfadada,
Posto que espada não perfura espada,
Porque tesoura não corta tesoura.

sábado, 9 de novembro de 2013

DORES DO MUNDO (11)



Das dores que nos atormentam,
Não erro ao dizê-lo,
A pior é a cabeça,
Porque dor de cabeça é dor de miolos,
Já que o resto é osso e pelo.

Talvez por isso se diga à jovem no parto,
Para que não esmoreça,
Que "o pior já passou".
E "o pior" é a cabeça.

E se diga à virgem, no quarto,
Apreensiva à beça:
- "O pior já passou".
E "o pior" é a cabeça.

terça-feira, 30 de julho de 2013

LOUVAÇÃO (10)

LOUVAÇÃO



Louvado seja o i de "iscola", a
ntes do i de igreja!
Louvado seja!
Louvada seja a dançarina,
Que incrustou-se, como tatuagem, na minha retina.

Há mulheres
que o anjo da guarda, não apenas guarda,
Como livra de toda desdita.

Assim como anjos, homens.

Não acredita?
Pergunte a um homem que seja
(Que homem seja),
O que ele almeja,
O que o deleita:


Grafia correta,
Ou bunda perfeita?


DALAS - 9





Muito falas.

Porém, por mais que eu ouça,

Não me enganas,

Exalas

Cheiro de moças

De fogosas chanas,

Querendo Dalas.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

RECÍPROCA - 8


Deve haver bem que vem para o mal,

como há mal que vem para o bem.


Isto explicaria que alguém

Que vá ao encontro da luz no fim do túnel

Seja atropelado pelo trem.

sábado, 13 de julho de 2013

OBRA PRIMA - 7


Mulher,
Prova de que o ser humano
Tem origem divina.

Quem, se não Deus, faria
Obra tão bela
Com uma costela?

E se Deus houvesse tomado
Uma perna do Adão,
Que faria, então?

Homem não precisa de duas pernas.
Mulher, sim, precisa
Por motivos óbvios.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

CANTIGAS DE HEMO-RODA (5)

Nome da cantiga:  ATIREI O PAU NO GATO


LETRA E COMENTÁRIO.


Atirei o pau no gato.

Ô infeliz!  Sabia que isso é crime?

Mas o gato não morreu.

E tinha a intenção de matar o bicho?  Afinal que mal o gato lhe fez?

Dona chica admirou-se do berro que o gato deu.

Dona Chica tinha que admirar-se, mesmo.  Até eu ficaria admirado se ouvisse gato berrando. Gato não berra, gato mia.

terça-feira, 28 de maio de 2013

MEU BONÉ - 6




EU TENHO UM BONÉ.

COM A ABA DE LADO
DEIXA-ME COM CARA
DE JOVEM SAPECA;

MAS, BOM COMPANHEIRO,
CAMUFLA E PROTEGE
MINHA CARECA.

MELHOR QUE MEU BONÉ
SÓ BATOM NA CUECA.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

COISA DE CRIANÇA.- 5




Bosta tinha quando Inácio
Espalhava pelo chão.
Sua avó sempre dizia:
- Êta, menino cagão!

sábado, 23 de junho de 2012

UMA VIAJEM NO TEMPO

PREFÁCIO MUITO FÁCIL

Não demorou muito e percebi que havia uma intrusa na festa do meu aniversário: a festa de aniversário.  Se estou ficando mais velho, mais feio e mais débil, estou comemorando o quê?
Pior é a constatação de que não sou o único a caminho da decrepitude,  até o bebê que nasceu há dez segundos está, neste instante, dez segundos mais velho.







ENTENDENDO O PASSAR DO TEMPO.


Ampulheta.
Em desuso como relógio; é popular como instrumento
 musical.  Dizem que, a qualquer hora, em qualquer parte
do mundo, há sempre alguém tocando ampulheta.


O tempo passa porque a terra gira.  E gira numa velocidade de fazer inveja a carro de Fórmula Um.  Qualquer ponto próximo à linha do equador movimenta-se a, mais ou menos, 1666 Km/h.
É esta giração maluca e desenfreada que causa a sucessão de dias e noites

Você há de concordar que, se a terra não girasse, a noite não sucederia o dia nem o dia sucederia a noite.  Não haveria o dia que passou, assim como não haveria o dia seguinte.  Haveria, apenas, um dia eterno, onde o tempo não passaria.  E, uma vez que o tempo não passasse nada nem ninguém envelheceria.  Ruim para o vinho, ruim para o whisky, ruim para a Itália, para a Escócia, ruim para o Paraguai que fabrica legítimas bebidas europeias; todavia, bom para os seres vivos.  Perai!  Será que não envelhecer seria, realmente, bom para o ser humano?
O adulto não ficaria velho, é fato; mas o jovem não se tornaria adulto nem o bebê se tornaria jovem.   Como não envelhecer não é salvo conduto contra a morte, é certo que os adultos morreriam deixando o destino do mundo nas mãos de jovens estúpidos.  A única ação positiva dos jovens (se é que isso é positivo) seria botar no mundo uma infinidade de bebês.  Os bebês herdariam o planeta assim que os jovens morressem.  E um mundo somente de bebês é garantia de merda pra todo lado.

Bem, deixemos de lado os efeitos colaterais do não-envelhecimento e vamos em busca da fonte da juventude, que é o que tinha em mente quando iniciei esta balela.



A VELHICE É RELATIVA; PORÉM, DEFINITIVA.


Einstein afirmava que a estação se movimenta em relação ao trem e dele se afasta na mesma velocidade que o trem se afasta da estação.  E concluiu que velocidade, espaço e tempo são relativos.   De fato, se demolirmos a estação e a colocarmos dentro dos vagões do trem, ainda que este se movimente a distância entre o trem e a estação será zero.  Como tempo é o resultado da divisão do espaço pela velocidade.  Se o espaço for zero, o tempo também será zero, para qualquer que seja a velocidade considerada.

EURECA!  O grande lance do não-envelhecimento é não deixar o tempo passar, é não permitir que o dia do aniversário que acabamos de comemorar afaste-se do momento presente.  Simples, assim.

Pelo exemplo acima pode-se perceber que há duas formas de não permitir o distanciamento do tempo: a primeira é amarrá-lo no tornozelo, que nem prancha de surf; a segunda é subir nessa prancha e acompanhar, par e passo, o seu movimento.




TEMPINHO PRÁ LÁ, TEMPINHO PRÁ CÁ.


Casal de velhos mostra o lado menos atingido pela gravidade.
Já informei, aqui, as causas do envelhecimento (sucessão de dias e noites) e a velocidade com que o fenômeno acontece (1666 Km/h).  Informei, também, que, se acompanharmos o movimento do dia, não permitindo que este se afaste, o tempo não passará.  Prepare-se, então para uma nova descoberta:  O envelhecimento não acontece simultaneamente para todos os habitantes do planeta. Quando é meio dia em Brasília, são quatro horas da tarde em Londres (Inglaterra) e são oito horas da manhã em Vancouver (Canadá).  Considerando um mesmo instante de tempo, o cidadão londrino envelhece quatro horas antes que o cidadão brasileiro, que envelhece quatro horas antes que o cidadão de Vancouver.
Perceba o leitor que, geograficamente falando, o tempo passa num sentido determinado, mais precisamente, de Londres para Vancouver.


DESFAZENDO AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ.


Você já deve ter ouvido falar que o mundo dá muitas voltas.  Isto é verdade.  É verdade, também, que o tempo está para o mundo, como o barbante está para o novelo: enrola-se girando num certo sentido e desenrola-se girando no sentido contrário. Isto significa que, se acharmos um modo de desenrolar o barbante do tempo do novelo do mundo estaremos promovendo o desenvelhecimento da humanidade e, como consequência colateral, dos bichos, das plantas e de tudo que há no mundo.



NO RABO DE FOGUETE.

Claro que você já sacou que nosso próximo e mais importante passo será a construção de um foguete; porém, quase tão importante quanto a construção do veículo é o plano de voo.
A viagem tem que ser no sentido Londres / Vancouver para permitir que se chegue ao Japão na noite do dia que passou e, assim, desfaça-se um dia na contagem do tempo.
Se viajarmos no sentido contrário, chegaremos ao Japão na noite do dia que está por vir e, envelheceremos um dia, precocemente.
A velocidade da nave depende da rapidez com que se pretende rejuvenescer.  A 1666 Km/h neutraliza-se a velocidade natural do tempo.  Não se envelhece nem rejuvenesce.  Duplicando esta velocidade, rejuvenesceremos um dia por dia viajado.  Triplicando a velocidade, o rejuvenescimento será na proporção de dois dias para cada dia de viajem.



PROBLEMÁTICA SEM SOLUCIONÁUTICA.


O amigo deve estar se perguntando:  Se essa coisa é, assim, tão simples, por que não tem fabricante de foguete, vendendo turnê de rejuvenescimento?
Porque há um probleminha técnico, até o momento sem solução.

Imagine que você entre num foguete e comece a orbitar a terra no sentido Londres / Vancouver, com o triplo da velocidade do planeta, isto é: retornando no tempo, dois dias á cada dia de viajem.  Ao recuar no tempo, você e os demais tripulantes da nave irão ficando cada vez mais jovens e, obviamente, ficarão cada vez mais ignorantes.  Com o despassar do tempo, perderão inclusive os conhecimentos necessários para comandar a nave.  Quanto mais o tempo despassar, mais estúpidos tornar-se-ão e, então, estarão todos, novamente, à mercê do tempo.


Feto, meio caminho entre ovo e gente
UM FILME DE TERROR.

Alheia a tudo, a nave continuará a jornada de rejuvenescência.  Agora você já não é um adulto; é um adolescente.  Não mais um adolescente; uma criança.  Não mais uma criança; é um bebê... um feto... um embrião.  Não um embrião, é um espermatozoide desfecundando um óvulo e, por fim, um espermatozoide e um óvulo vagando no espaço, em órbitas paralelas.
Carrinho sem vergonha da Ford,
onde paralelas trocam amassos
É possível que, um dia, se encontrem num carrinho sem-vergonha da Ford.  Dizem as más línguas que paralelas num Ka se encontram.  Talvez se encontrem, sim; mas só as paralelas lésbicas.
Detesto generalização.




        xxxxx       FIM  (Até que enfim!)     xxxxx













quarta-feira, 13 de junho de 2012

PALEONTOLOGIA - PRIMEIRA AULA.

ESTUDO DE BICHO VELHO.



DEFINIÇÃO:

Você pode não acreditar; mas Paleontologia significa, exatamente, estudo de bicho velho.  Tudo bem, dá para colorir a calda do pavão, escolher palavras amenas, como por exemplo, seres antigos, em vez de bicho velho; mas, ainda assim, continuará sendo bicho velho.  A Paleontologia não deve ser confundida com a Palitologia - ciência que estuda as variáveis do jogo de palito, também conhecido como porrinha.

No estudo da Paleontologia o aluno conviverá com nomes estranhos e significados igualmente estranhos, assim, se um paleontólogo lhe disser que você é um gigantesco coprólito, não se sinta lisonjeado, não; coprólito é merda fossilizada de animal Pré-Histórico e os montes que eles deixavam eram sempre gigantesco.   Paleontologia é um estudo que requer muito tempo e espaço.  Requer muito tempo, porque mexer com fóssil não é fácil - o que não significa que mexer com fássil seja fócil - e requer muito espaço, porque bicho enorme é espaçoso, mesmo.

Apenas para que você faça ideia de espaço requerido, saiba que estes animais eram tão grandes que não podiam se embrenhar nas florestas.   Viviam nas pradarias, que também era o local onde adquiriam prães.


PRÉ-HISTORIANDO:
Antes do fim mais recente do mundo, o planeta terra era dominado por bichos grandes, brabos e cabeçudos.  Havia bicho que tinha uma queixada de fazer inveja ao Michael Phelps.
Não havia homem nem mulher pra se meter a besta de encarar as bestas; até porque, naquele tempo não havia homem nem mulher - nem as metidas a bestas.

(Ao lado, imagem e Raio- X de bicho grande, brabo e cabeçudo).


ORGANIZAÇÃO SOCIAL.
A sociedade Pré-Histórica era constituída, basicamente, por predadores (bichos que atiravam predas) e presas (fêmeas que cumpriam pena por crimes cometidos).  Já havia algumas ONGs, como a dos Depredadores, que tentava desfazer, ou minimizar, os males causados pelos predadores.
Entretanto, a sociedade dos dinosauros tinha, também, sua elite, muito bem representada pelos sofisticados Alossauros, assim apelidados porque não desgrudavam de seus celulares.

 



O LAGARTÃO DA ARGENTINA.
O maior animal que já pisou em terra firme (provavelmente tenha pisado, também, no atoleiro) foio  argentinosaurus, que media quarenta metros de comprimento e pesava cem toneladas.
Aí eu me pergunto:  Como um bicho tão colossal pôde extinguir-se?  E eu me respondo, perguntando: Como é que um bicho, perto do qual um elefante pareceria uma cabrita, pode existir?

Tomemos, novamente o maior paquiderme existente como termo de comparação.  Um elefante adulto, que pese em torno de seis toneladas e meia, tem um pênis de trinta quilos. Não sei quem foi o curioso que pesou; mas isto é mais que o peso de botijão de gás, cheio!  Mantidas as proporções, o pinto do argentinosauro (se é que se pode chamar uma avestruz dessa de pinto) pesaria 461 Kg.  E pra levantar o bicho do bicho, hem?!  Haja sangue!  Ou, haja guindaste!  E pra encontrar o caminho das Índias?!  Mas, nem instalando GPS na ponta.   Diante disso, seria compreensível se a fêmea do argentinosauro tirasse o corpo fora, na hora da penetração.

E não era pra tirar?  Ponha-se no lugar dela!  Desculpe o mau jeito.





               Imagens de argentinos com cara de bobo.  O da direita é o argentinosauro.



PALEONTOLOGIA - SEGUNDA AULA

CLASSIFICANDO OS SEM-CLASSE.

Para efeito didático, tentarei classificar os dinosauros segundo uma característica comum; mas qual seria esta característica?  Tamanho não, é preconceituoso.  Origem não, pode parecer preconceituoso.  Cor da pele não, pode parecer preconceito.  Idade não, pode parecer preconceito.  Tamanho dos pés não, pode parecer preconceito.  Número de pés...  Número de pés...  OK!  Número de pés.

A Classificação, segundo o número de pés apresentados pode ser bastante significativa; entretanto será preciso que os dinos se disponham a apresentar os pés.  O animal que não puder comparecer pessoalmente, poderá deixar pegadas no barro.
Agora, se não comparecer à convocação nem gravar pegadas no barro pode ter certeza de que não será classificado, independente de aparência física, religião, ou classe social.
E quem não for classificado será automaticamente desclassificado e cairá para a segunda divisão.


CLASSIFICAÇÃO EM ORDEM CRESCENTE, CONSIDERANDO O NÚMERO DE PÉS.



OS ZERÓPEDES (Em Tupi de Guaraná, Zero - Pedes).


Zerópedes eram animais que não tinham pés e que, por isso, tinham enorme dificuldade em ficar de pé.  Eram geralmente animais fêmeas.  Nesta classe estão as cobrasauras, as minhocasauras.


NOTA:  Pretendia botar  foto de um Zerópede, porém achei o bicho muito asqueroso.



OS UNÍPEDES (Em Tupi racento, Uni - Pedes)


A figura ao lado, representa o que teria sido um sacisauro, ou Saci-pereresauro.


Os Unípedes eram animais que tinham um único pé.  O principal representante dos unípedes foi o sacipereresauro (saci, para os íntimos) que vivia pelo interior do Brasil e, vez por outra, aparecia no Sítio do Pica-pau Amarelo.
Você deve estar se perguntando:  Como podia um animal caminhar, se tinha um único pé?   Não caminhava, pulava.  Entretanto, animais que passam a vida pulando é algo relativamente comum, na natureza.  Tem o gafanhoto, o canguru, o sapo.  E tem a Maureen Maggi, que pula mais do que gafanhoto, canguru e sapo, juntos.
O Saci costumava, usar boina vermelha, como se fosse torcedor do Internacional de Porto Alegre; porém,  não era gaúcho, se fosse, apareceria tomando chimarrão e não fumando cachimbo.


OS PÍPEDES.


Esta classe de animais era muito abundante, portanto dividi-la-ei em duas sub-classes, para que não fique excesso de dinosauro na mesma classe, que nem faculdade particular: os bípedes não voadores e os bípedes não-não-voadores, também conhecidos como voadores.
Os bípedes não-não-voadores ou, simplesmente, voadores, eram vorazes.
Os principais bípedes voadores eram o pterodáctilo e o helicóptero, sendo que este último tinha sempre pelo menos um humanosauro nas entranhas.  Como é sabido que helicópteros alimentavam-se de derivado de petróleo, supõe-se que engolia humanosauros, apenas de farra, regurgitando-os, posteriormente.
Na verdade, não há registro da existência de humanosauros na Pré-História, a não ser nas barrigas de helicópteros.   Alguns paleontólogos supõem, inclusive, que humanosauro fosse uma espécie de lombriga da Pré-História. Saliente-se, porém, que não havia como fazer registro, se na época não havia cartório de registro. 




Imagens de bípedes voadores: Pterodáctilo (esquerda) e Helicóptero (direita) - este com a barriga cheia de humanosauros.


Com relação aos não voadores, pode-se dizer que eram animais inteligentes e com grandes dotes artísticos.  Os que aparecem na série Jurassic Park, por exemplo, mostraram exuberantes atuações individuais, embora jamais tenham vivido no Período Jurássico.



OS TRÍPEDES.

Muito pouco se sabe sobre os trípedes.
Pelas marcas deixadas no barro, ou tinham os pés mais compridos da Pré-História, ou tinham pés redondos que giravam indefinidamente.  Os principais, porque mais numerosos, representante dos Trípedes foram os velocípedes, assim chamado por serem muito velozes.


Ao lado, imagem do trípede, velocípede.








OS QUADRÚPEDES.


Esta era a elite da Pré-História, dada a significância dos seus representantes.  É aqui que encontramos os animais gigantescos como os paquidermes - de pele bem cuidada - e os, sonolentos, paquidormes.


Na imagem à esquerda, esqueleto de animal Pré-Histórico, da família dos paquidormes.  Extinto no período jurássico, este dinosauro muito feroz era conhecido pelo nome de gato doméstico.




          FIM   X   FIM   X   FIM
SE VOCÊ QUERIA MAIS, DANOU-SE.





segunda-feira, 11 de junho de 2012

SÉRIE MEIA DÚZIA DE FRASES (3)

Pobrema é mulher pobre e ruim (pobre-ma).  Pode até ser coisa de rico; mas só se o rico for analfabeto.

Não existe amor eterno; o que existe é convivência pacífica.

Se você levar um tapa e oferecer a outra face, acabará levando dois tapas.

Na estranha estética de Einstein, usar gravata era preciso, pentear os cabelos não.

Não falo inglês, não falo francês nem italiano.  Não tenho com quem falar - e eu não sou maluco de ficar falando sozinho.

A única chance de uma coisa sair sem ter entrado é ter se originado dentro.

PARA LER MINHAS NOVELAS.

A Leitura de NOVELAS ou de HISTÓRIAS EM CAPÍTULOS aqui publicadas, obedece a regras específicas, que este blog não é casa de Mãe Joana.
TEM QUE COMEÇAR A LER DO CAPÍTULO UM, CARAMBA!
Depois, passa para o CAPÍTULO DOIS, depois para o TRÊS e, assim, sucessivamente.
Por acaso, você assiste a filme de trás pra frente, ô maluco?!

A novela abaixo é sobre a vida de Adão, o primeiro ser humano, desde o nascimento até sua expulsão do paraíso.
CURIOSIDADE:  Você sabe por que Deus criou Adão e Eva, exatamente nesta ordem?  Porque se tivesse feito ao contrário a boiolada ia deturpar a coisa toda.  -  "Deus fez Zé viadão".

O HOMEM NÚ... MA BOA (Capítulo 1).

BIG BANG É O CACETE!

No princípio era o verbo.  Só depois é que vieram o advérbio, a conjunção e a interjeição.  Deus estava numa fase muito criativa.  Criou o universo e tudo que nele existe (as galáxias, as constelações, as estrelas, os planetas), separou a luz das trevas (o fornecedor tinha mandado tudo misturado) e, em conformidade com o sistema de cotas, criou os buracos negros, a matéria negra e a energia negra.
E Deus viu que o universo era bom (mesmo que não fosse, não tinha ninguém para reclamar).
Deus olhou para o planeta terra e falou a si mesmo:  "Criei um belo parque aquático e ninguém prá aproveitar".  Deus passou a criar bicho-d'água de todo tipo: peixe, polvo, caranguejo, jacaré, cobra-d'água.   E Deus criava os bichos aos pares, para que se reproduzissem (com excessão da ameba e de alguns protozoários que se reproduzem por bipartição).
Deus havia criado milhares, talvez milhões, de bichos; mas os bichos não tinham nome (e isto devia fazer uma confusão danada na sua divina cabeça).  Então Deus resolveu criar alguém para "dar nome aos bois" (e às vacas, aos bezerros, às novilhas e a tudo que era bicho).
Tinha início o PSH (Projeto Ser Humano).

Anjos, batendo asas, feito borboletas.  Os peitões são falsos,
de silicone.  Anjos não ficam prenhe, não parem, não amamentam,
portanto, não tem - e não precisam ter - glândulas mamárias.
NOTA:  O leitor deve estar pensando.  "Por que Deus não atribuiu aos anjos a tarefa de dar nomes aos bichos?".   Você acha que anjo iria querer descer à terra e sujar os pés de lama?  Anjo é bicho fresco.  Só vem à terra, na marra, quando Deus ordena.  Vem, dá o recadinho e bate asas de volta.  Anjo não serve pra nada, amigo, nem pra reproduzir.  Ô láia!  Deus que me perdoe!

O HOMEM NÚ... MA BOA. (Capítulo 2)

YOUR NAME IS ADAM.

E Deus criou o homem, já com a incumbência de dar nome aos bichos.  E, para que o recém-criado não se metesse a besta de dar nome a si próprio, Deus falou - possivelmente em negrito, que voz de divindade não é mole:  "Seu nome é Adão"; mas falou em inglês, que Deus não ia se rebaixar a falar língua de povo subdesenvolvido.

Adão pegou firme no trampo.  Observador que era, notou diferenças entre os bichos da mesma espécie e passou a chamá-los de ratos ou ratas, coelhos ou coelhas, conforme apresentassem saliência ou reentrança.
Se conseguiu percebeu diferenças minúsculas entre ratos e ratas, é óbvio que percebe-las-ia entre bois e vacas, cavalos e éguas, até por que, nestes casos as diferenças não são nada minúsculas.
E Adão descobriu que os animais brincavam de pirâmide com o seu correspondente e pareciam gostar da brincadeira.   Os cachorros, então, não sabiam quando parar. Passavam da brincadeira de pirâmide para a brincadeira de trenzinho num piscar de olhos e, se bobeassem, ficavam brincando o dia inteiro.  Nada disto, porém, atrapalhava a operação "dar nomes aos bichos", tarefa do primeiro homem.


Na foto, Adão, provavelmente depois de fumar um baseado, fingindo enrabar o bicho a que chamou de crocodilo.

O HOMEM NÚ... MA BOA (Capítulo 3)

O AMULETO DE ADÃO.

Adão iniciou a segunda-feira nominando boi, cão, rã...
E trabalhou a terça-feira com pato, siri, lebre...
E na quarta-feira deu nome a esquilo, raposa, camelo...
E na quinta-feira nominou tamanduá, crocodilo, dromedário...
E encerrou a sexta-feira com hipopótamo, rinoceronte, ornitorinco...

A vida do homem no Eden não poderia ser melhor. Ou melhor, poderia sim, se não tivesse tanto anjo, enchendo o saco. Anjo é que nem criança (acho que é por isso que chamam criança de anjo), gosta de fazer "invejinha". Meu brinquedo é melhor do que o seu, meu pai tem mais dinheiro que o seu, minha mãe é mais gostosa que a sua.
Como anjo não tem pai nem mãe, uns ficavam voando em torno do Adão para exibir as asas, outros ficavam tocando trombetas.  Tudo porque adão não tinha sido aquinhoado nem com asas nem com trombeta.  O maior motivo de zombaria, entretanto, não era a falta de asas ou de instrumento de sopro, era um penduricalho que Adão ostentava no meio das pernas.  - Que amuleto mais sem serventia! Diziam.
Na verdade nem Adão entendia direito o porquê de andar balançando um trambolho inútil, em vez de poder voar e tocar trombetas, como os anjos.

Deus, que tudo vê - e nada comenta, porque detesta fofoca - percebeu que havia algo esquisito no comportamento da criatura. E ser humano, quando começa a agir de forma estranha no trabalho, vai trazer pepino pro chefe.
E foi num fim de semana, prolongado pelo feriado na terça-feira, que um ocioso Adão notou que faltava-lhe o ser complementar, aquele que, matematicamente falando, estaria para o homem, assim como a cabra está para o bode.  Um ser com reentrança, capaz de acomodar saliência.
O SAC celeste estava prestes a receber a primeira reclamação.

O HOMEM NÚ... MA BOA (Capítulo 4)

COSTELA À MODA DO CHEFE.

Adão vai à presença de Deus, reclamar pela falta de companheira.  Deus não se faz de rogado, ao contrário, percebendo o divino lapso, falou:  Você será muito bem recompensado.
Deus olhou ao redor (e o ao redor de Deus é o universo todo). Não havia barro em estoque. Então Deus intimou Adão a participar da criação da companheira, doando uma costela.

NOTA: Alguns autores questionam a falta de barro no almoxarifado do céu, posto que isto caracterizaria falha de planejamento de um ser infalível. Note-se, porém, que a manutenção dos estoques era competência de anjo, provavelmente de um anjo vadio, que preferia ficar sacaneando o Adão, em vez de fazer inventário.
Um fato que prova que os estoques de matéria-prima estavam no fim é a criação do ornintorrinco. O último animal criado por Deus é uma mistura das sobras de matéria-prima de diferentes animais.

No instante seguinte Deus fez Adão cair em sono profundo (Deus faz cirurgia com doping hipnótico, sem uso de anestesia) e arrancou-lhe uma costela.
Cara, não é pra puxar o divino saco, não; mas só Deus pra fazer coisa tão maravilhosa, com uma costelinha ordinária (E minha mãe se vangloriava da costela guizada que fazia...).
A companheira de Adão era quase uma divindade.  Um ser humano de segunda geração, com design curvilíneo, amplo bagageiro e duplo air bags.  A mulher era um produto tão perfeito que, mesmo que lhe colocassem a cabeça e os pés ao contrário, ainda assim seria linda e boa para dançar coladinho.

O Homem acorda e vê a Eva e, assim como uma vovó que vê a uva, enche-se de vontade de comê-la.  Porém o maior de todos os desejos do Adão era sair correndo ao encontro dos anjos e mostrar a mulher, que Deus havia lhe dado.
Desejou e fez.
Fez e desfez:  -  Vão bater asas! Vão soprar trombetas, seus paspalhos!

Isto daria início ao quebra-quebra celestial que ficaria conhecido como a revolta dos anjos.
Diz um ditado que "manda quem pode e obedece quem tem juízo", outro ditado diz que "bom cabrito não berra".  Os anjos que não demonstraram ter juízo, ou que não se comportaram como bons cabritos foram identificados, demitidos por justa causa e mandados para o quinto dos infernos.
Adão recebeu, apenas, cartão amarelo, pela provocação.
Como diria Forrest Gump (se não disse, poderia ter dito): "A vingança e a inveja são duas merdas".

O HOMEM NÚ... MA BOA (Capítulo 5)

EXPERIMENTANDO AS FRUTAS

Deus fez tudo para que homem e mulher vivessem felizes.  Fez tudo, menos um shoping.  Por isso os humanos vestiam-se com folhas.  Adão usava uma folha de parreira, Eva usava três.
Vestiam folhas de Parreira e comiam folhas de Zagallo - alimento sabidamente indigesto; mas obrigatório.  Lembra?  "Vocês vão ter que me engolir!".

NOTA:  O fato de Adão vestir folha de parreira prova que o primeiro homem não surgiu no continente africano.  Se fosse originário da África, Adão iria precisar de folha de bananeira para cobrir o sexo.

A rotina e a falta do que fazer no Eden eram brabas.  Por isso foi tão difícil atender ao pedido divino pra não devorar a maçã
Principalmente porque havia uma cobra doida para entrar na história e, quando, a cobra tá a fim de entrar, não há dona Prudência que segure.
Adão acabou comendo a maçã e, como consequência, percebeu que a Eva estava pelada.  Como já havia sido advertido anteriormente, levou o segundo cartão amarelo e foi expulso do campo do Paraíso.
Expulsar Adão e Eva dos jardins do Eden foi o mesmo que lhes entregar carta de alforria.  Os humanos, passaram a comer não só maçãs; mas figos, uvas, melões, jenipapos e bananas.  E, esganados que eram, comiam um a fruta do outro.


Na foto, Adão tenta convencer Eva a experimentar determinada fruta.  Eva parece tímida e relutante.

O HOMEM NÚ... MA BOA. (Capítulo Final)

O QUE É DO HOMEM...

Expulso do Paraíso, Adão levou Eva para apresentar aos amigos animais. 

Na foto, Adão, uma coelhina (espiando sua piroca), Eva e um coelhão (de olho na bunda dela). 

A presença de Eva gerou um grande tumulto no reino da bicharada.
Logo a mulher estava cercada de admiradores, como se fosse pop star tipo Madona ou Lady Gaga. Adão, desconfiado, pegou a Eva pelo braço e levou-a para uma caverna, onde inventou a porta, a tranca e o ditado "O que é do homem bicho não come".

E, como não tivessem mais nenhum controle, viveram felizes para sempre.  Felizes e obesos.
Ô povo danado pra gostar de fruta!




FIM.  
THE END.
C'EST FINI.  
ACABÔ, CARAMBA!

CYNDERELLA (PRIMEIRO ATO)

QUANDO OS RELÓGIOS TINHAM BADALOS

A orientação da fada-madrinha foi muito clara: antes que o relógio desse doze badaladas, Cinderela já tinha que ter se mandado do castelo, a menos que quisesse pagar o maior mico.
Foi por isso que saiu numa correria de fazer inveja a Usain Bolt.  E, ao descer as escadarias em louca disparada, tropeçou, rodopiou, cambalhotou, caiu, levantou e continuou a fuga, agora correndo e mancando, porque havia perdido um dos sapatos.  E o sapato da Cinderela foi a única coisa que o príncipe conseguiu alcançar.  Mas já era um consolo, uma pista que, nas mãos de um bom detetive...

Como a fada havia vaticinado, no primeiro minuto do dia seguinte a carruagem voltou a ser abóbora, os corcéis tornaram-se ratos, o cocheiro virou outra porcaria qualquer.  Só o sapato, estranha e teimosamente, resolveu permanecer sapato - e de cristal - quando se esperava que virasse sandália havaiana.

Ao príncipe restaram o sapato e a esperança micheltelôana:  Ah, se eu te pego!


Cinderela e o príncipe, brincando de pega-pega

CYNDERELLA (INTRODUÇÃO)

ANTES NELA DO QUE EM MIM

Há quem confunda Gata Borralheira com Cynderella.  Segundo as minhas pesquisas no Google, Cynderella é um conto do escritor francês Charles Perrault, enquanto Gata Borralheira é um conto tradicional italiano.  Entretanto, o conto da Cynderella é baseado no conto da Borralheira, o que significa que as moças devem ter fumado um baseado juntas.

Dúvidas recorrentes, ou perguntas que não querem calar, dos leitores, serão respondidas a seguir:

1)  Por que o encanto acabaria à meia-noite - e não às seis da manhã, por exemplo?
Resposta:  Naquele tempo nem desodorante durava mais do que seis horas.  Ademais há uma grande diferença entre encanto e feitiço.  Encanto é feito com gestos, palavras ou instrumentos específicos, como varinha mágica.  Feitiço é feito com porcaria (fezes de morcego, pernas de aranha, asas de barata), misturados e servidos em porções - às vezes, dose única.  Feitiço tem prazo de validade indeterminado, por isso precisa ser desfeito.  Encanto é produto perecível.  Seu prazo de validade é curto, se bobear o encanto apodrece.

2)  Por que o príncipe não reconhecia o rosto da moça pela qual se apaixonou, precisava identificá-la através do sapato?
Resposta:  Há duas possibilidades.
Primeira - A festa no palácio era um baile de máscaras.
Segunda - O príncipe era um míope fundo de garrafa; mas, foi ao baile sem  óculos, para ficar mais atraente.

3)  Por que os sapatos tinham que ser de cristal?
Resposta.  Compreendo a preocupação do leitor.  Sapatos de cristal, são pesados, fazem calo e dão um chulé dos diabos; mas, como diz o ditado "cavalo dado..."

NOTA DO AUTOR:
Mudei o nome da personagem para Cynderella, com ipsilone e duplo elle, porque o fenômeno da duplicação é moda no Brasil.  Tem até um cantor cujo nome é Gusttavo Lima.  Gusttavo com dois tês.  Tô até a fim de mudar meu nome para franciscocisco, com dois ciscos, ou o meu apelido xico para xixi-cocô.